A dessacralização do espaço e a memória da calamidade na invasão mongol da Hungria (1241-1242)
Palavras-chave:
Invasão Mongol, Dessacralização do espaço, MemóriaResumo
A invasão mongol da Hungria (1241-1242) transcendeu o colapso militar, resultando na aniquilação da topografia local. Este artigo analisa essa letalidade e a construção da memória da catástrofe nas obras de Mestre Rogério e Tomás de Spalato. Em diálogo com a arqueologia e a historiografia militar, demonstra-se que a dessacralização do espaço e o terror operaram como táticas ativas de guerra nômade. Diante do colapso do asilo cristão, investiga-se como os clérigos converteram a página escrita em uma arquitetura da memória, utilizando a ruína para responder a demandas de justificação pessoal e reinserção institucional. Ao atrelar essas fontes às evidências de reconfiguração da toponímia e da cronologia do reino, o trabalho demonstra como o avanço mongol alterou irreversivelmente as categorias de espaço e tempo pelas quais a sociedade húngara forjou a memória da calamidade.
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