AS BEM-AVENTURANÇAS FREQUENTAM A CORTE: A EDUCAÇÃO CRISTÃ DA PRINCESA N'O LIVRO DAS TRÊS VIRTUDES, DE CHRISTINE DE PISAN

Maria Ascenção Ferreira Apolonia, Maria Elizabeth Santo Matar

Resumo


Como desdobramento do casamento monogâmico e indissolúvel, fez-se relevante a participação da mulher no espaço político e cultural da Corte, o que exigiu da princesa um “saber de experiências feito” sobre as regras protocolares, as gestões diplomáticas, o relacionamento social e os conflitos de poder, ao lado de uma particular prudência para conviver e sobreviver num universo permeado de acordos e intrigas, ódios e simpatias, ao ritmo das tensões políticas e da tomada de decisões que caracterizaram a Corte do século XV. Em resposta à demanda de uma educação cristã da princesa, adequada ao momento histórico e ao mundo laical, a primeira parte d’O livro das três virtudes, cerca de vinte e cinco capítulos, é dedicada à formação da princesa, mais complexa e abrangente do que a de outras damas e mulheres do povo, a que igualmente Christine de Pisan se dirige nas duas outras partes da obra. É nosso intuito analisar a inserção da educação da princesa no patrimônio cultural da Baixa Idade Média: a original adaptação, efetuada por Christine, das bem-aventuranças e das virtudes cristãs à vida palaciana. O livro da três virtudes constitui um exercício de releitura dos preceitos do Evangelho e da vida contemplativa à altura das circunstâncias da vida ativa, deles extraindo as diretrizes para nortear o dia a dia da princesa, desde a organização do tempo e dos gastos, o relacionamento com o marido, filhos e cortesãos até o cultivo das virtudes, em particular, da sabedoria para discernir os riscos a que está exposta no ambiente mundano e no jogo de interesses da Corte

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