A RELAÇÃO CORTESANIA E RUSTICIDADE NA DRAMATURGIA IBÉRICA QUINHENTISTA

Jamyle Rocha Ferreira Souza

Resumo


Cortesania e rusticidade são dois conceitos com convenções literárias distintas, com temas e formas que raramente convergem entre si. Curiosamente, a opção estética dos nossos dramaturgos ibéricos se renova justamente quando, em salões palacianos, fazem representar rústicos num contexto sociológico como o da Corte. A rusticidade, de «indelicadeza», «incivilidade» e «grosseria», expressa em tensão linguística e em um pretendido realismo na arte dramática de Juan del Encina (1468- 1529), Lucas Fernández (1474-1541) e Gil Vicente (1502?-1536?), pode ser compreendida, segundo o crítico espanhol José María Díez Borque (1987), como um «salto mortal», uma vez que confronta a privilegiada estimativa literária da poesia cortesanesca e cumpre um fim imediato de divertir a nobreza ociosa. É bastante provável que o dramaturgo castelhano Juan del Encina seja o iniciador, na cena ibérica, deste processo de reconhecimento do «estilo rústico» enquanto expressão estética, indo de encontro à poética culta cortesã. Nessa perspectiva, o presente trabalho pretende abordar o processo de “dignificação” do estilo rústico no espaço cortesão ibérico nos fins do século XV e início do século XVI.

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.