A ARTE POÉTICA NO CANCIONEIRO GERAL DE GARCIA DE RESENDE, 1516

Geraldo Augusto Fernandes

Resumo


Seria possível que tivesse existido uma “arte poética” em Portugal, escrita entre os séculos XIV e XVI, a exemplo das poéticas de Juan Alfonso de Baena, Juan del Encina ou do Marquês de Santillana, contemporâneos do compilador do Cancioneiro Geral, Garcia de Resende? Segundo afirma Alan Deyermond em Poesía de Cancionero del siglo XV, “sería imprudente no contemplar la posibilidad de que la pérdida de uno o más cancioneiros pudiera habernos privado de la obra de una floreciente generación de poetas galaico-portugueses posterior a Dinis.” Adverte também sobre algumas alusões a tais cancioneiros, valendo-se de estudos e do registro feito por Dom Pedro, o Condestável, em seu Proêmio ao Marquês de Santillana, em 1449, no qual descreve um cancioneiro que havia visto quando jovem. A existência de outros cancioneiros é revelada inclusive em uma das esparsas do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende (núm. 871). Nela, Resende pede a Diogo de Melo, que partia para Alcobaça, que lhe trouxesse “ũ cancioneiro d'ũ abade que chamam Frei Martinho”, dizendo: “Decorai polo caminho, / té chegardes ò moesteiro, / qu'ha-de vir o cancioneiro / do abade Frei Martinho.” Nestes supostos cancioneiros perdidos, poderia existir algum texto em que se discorresse sobre a arte de trovar? Nesta comunicação, proponho entrever uma possível arte poética implícita no Cancioneiro Geral, tendo em conta os estudos de Francisco López Estrada. Parece-me que o cancioneiro resendiano, além de apresentar gêneros e poemas de “alto grado de perfección”, pode revelar um sistema poemático, uma “arte poética”, enfim, que reúne a forma, de modo inovador e elegante, em todos os sentidos do termo.

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