A QUESTÃO JUDAICA NA HISPANIA VISIGODA. SÉCULOS VI-VII

Cynthia Valente

Resumo


O Reino Visigodo de Toledo não apresentou muita tolerância com relação à comunidade judaica. A repressão régia e eclesiástica demonstrou-se ora mais dura, ora mais branda, dependendo do monarca no governo. Destacamos, no entanto, que a tolerância foi maior no período dos reis arianos. Alarico, por exemplo, aboliu a maior parte das leis romanas com relação aos judeus, mantendo apenas a proibição de casamentos mistos, também proibidos pela comunidade judaica, mas seus ritos permaneceram tolerados. Mesmo durante o bispado de Masona de Mérida, já durante o reinado de Leovigildo, o bispo, árduo defensor niceísta, mostrou tolerância com judeus e pagãos. Parece-nos que a questão judaica tomou contornos mais sérios e violentos após o III Concilio de Toledo e a conversão católica do reino visigodo. Durante a cristianização da Hispania visigoda, algumas crenças não ortodoxas foram consideradas ameaças à unidade eclesiástica e régia. Após a conversão católica do reino pelo monarca Recaredo em 589, a presença de judeus ocupou lugar nos debates dos Concílios Toledanos, mostrando que a presença de uma religiosidade oposta ao rito niceísta merecia atenção e, principalmente, atuação que a coibisse.

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